Melhorar a comunicação e fortalecer a imagem do agronegócio é um dos desafios do Brasil
- AVIMIG

- há 7 horas
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Um dos temas discutidos e defendidos durante o Alagro Summit 2026, realizado em maio, em Belo Horizonte, e acordado por todos os presentes, é que o Brasil precisa ser mais estrategista para educar o mercado sobre tecnologias, construir autoridade de marca e fortalecer a imagem do setor no mundo.
Para o vice-presidente do Agro FBM & ADVB e conselheiro da Alagro, José Luiz Tejon, considerado uma das maiores autoridades em marketing em agronegócio, torna-se um gargalo “a incompetência da comunicação do Brasil”, que não consegue transmitir a grandeza e a tecnologia embarcada em sua produção agrícola.
Durante o painel “Os efeitos da geopolítica mundial no agronegócio brasileiro”, José Tejon afirmou que “existe um déficit brutal entre o tamanho da nossa realidade e a nossa percepção, e esse déficit pode ser resolvido com a estratégia de propaganda, com estratégia de comunicação inteligente, carinhosa, empática, humana. Precisamos fazer a comunicação brasileira com carinho, com empatia e jamais retaliar os agricultores de outros países”.
Revolução da avicultura
Em entrevista exclusiva à editora da Revista da AVIMIG, jornalista Maria Helena Dias, José Tejon falou sobre o crescimento da avicultura no Brasil, destacando que a comunicação foi fundamental para essa evolução.
“A avicultura no Brasil é resultado de uma revolução de marketing espetacular. Desde o produto, a genética, a evolução da produtividade... Houve a revolução das carcaças de frango, distribuídas em tudo que era ponto de consumo, como numa padaria, num bar de bairro ou em uma comunidade”, pontuou.
Luiz Tejon lembrou de sua infância ao dizer que essa revolução na avicultura liberou até a mulher, daquela época, de afazeres trabalhosos, em especial ao preparar o frango do fim de semana: “Eu me lembro bem da minha mãe. Ela saía comigo para uma granja, escolhia o frago vivo e passava o domingo preparando aquilo.”
Em uma conversa descontraída, José Tejon falou até sobre a chegada do frango assado em máquina giratória, as rotativas, que na sua opinião foi outra aposta certeira para impulsionar a venda do produto: “Aquele frango rodando naquela assadeira, que até o pessoal chamou de ‘televisão de cachorro’. Aquilo era um enorme poder sensorial: era bonito, vermelho, um cheiro bom, e vinha junto umas batatas, umas coisas assim. O bairro se encontrava naquele lugar. Aquela revolução da distribuição do frango foi simplesmente espetacular; depois veio o avanço todo ocorrido na indústria”.
Falando sobre a importância da comunicação visual, ele disse que a genética dos galos, os roosters, teve papel relevante nessa valorização do setor. “A partir daí, a grande mudança foi que você não via mais o frango que era resultado do galinheiro, mas você passou a ver o frango no frigorífico, bem como as partes dele. Foi um processo publicitário muito bem feito pelas marcas da época, como Sadia e Perdigão. Essas marcas investiram fortemente no ato de consumo e, além disso, a exportação do Brasil passou a ter um produto com bom custo, preço competitivo, entre outros atributos”, disse José Tejon.
Ele também elogiou o importante papel da ABPA, bem como do conselheiro da associação, Francisco Turra, por grandes contribuições para reconhecimento do setor. “O Brasil supera crises de ordem sanitária. O setor avícola vai muito bem, considerando o consumo de carne de frango a 50 kg per capita (2026), sendo a número um do país; só não pode parar”.
Papel da indústria
Para José Tejon, as campanhas de comunicação têm de passar o amor da avicultura pelo trabalho, apresentando ao consumidor todo o processo inicial, desde a aquisição, criação até a mesa dos brasileiros. “As indústrias, as empresas, as marcas são responsáveis por esse crescimento da avicultura. Mas precisam começar a mostrar, também, no setor industrial, a originação, valorizar a origem do produto, porque o consumidor final, hoje, no mundo, quer saber de onde veio, quem fez, o bem-estar animal... E essa coisa se chama amor. É importante mostrar as famílias, por exemplo, que produzem, as famílias da avicultura. Para a indústria que trabalha a propaganda do frango para o consumidor, o importante é começar a mostrar, também, a cadeia produtiva, a originação”, reforçou.
Sobre o setor de ovos, ele lembrou o preconceito que, anos atrás, prejudicava a comercialização. “Os ovos tiveram uma revolução, também, no crescimento do consumo, em função de uma de um preconceito tolo, de que o ovo gerava problemas de saúde. Mas pesquisas mostraram o contrário. Passado isso, atualmente você não tem um restaurante, um hotel ou resort que, no café da manhã, não tenha ovos. Então, o ovo se transformou, de maneira muito interessante, num produto para ricos e para pobres, para todas as classes sociais. É um produto que possibilita ao mundo inteiro ter acesso a uma comida rica e acessível a todos”, finalizou.








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