Vacinação in ovo – Avanço tecnológico reduz manejo e melhora o desempenho produtivo
- AVIMIG

- há 3 horas
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Inovações tecnológicas têm transformado o setor avícola em busca de sistemas mais sustentáveis e seguros. A aplicação de vacinas in ovo exemplifica essa evolução, permitindo a imunização embrionária antes da eclosão e otimizando os índices zootécnicos e operacionais.
A vacinação in ovo, utilizada há mais de 30 anos, vem apresentando grandes avanços. Ao antecipar a proteção contra doenças, o procedimento fortalece a sanidade desde os primeiros momentos de vida, fator determinante para a performance das aves ao longo do ciclo produtivo.
“A vacinação in ovo representa um avanço importante para a avicultura moderna, pois garante que o animal receba a imunização no momento ideal, reduzindo riscos sanitários e contribuindo diretamente para melhores índices produtivos”, afirmou o gerente técnico de Aves da Zoetis Brasil, Eduardo Muniz.
Além dos benefícios sanitários, a tecnologia impacta diretamente a eficiência operacional das granjas. Ao substituir a vacinação manual pós-eclosão, reduz a necessidade de manejo dos pintinhos, diminuindo o estresse e promovendo maior uniformidade dos lotes, fatores que influenciam positivamente o desempenho zootécnico. De acordo com Eduardo Muniz, equipamentos automatizados permitem alta capacidade de processamento, podendo vacinar até 50 mil ovos por hora com elevado nível de controle.
Melhores resultados
Os aviários de Minas Gerais acompanham atentos todos os avanços tecnológicos no setor, sempre em busca de mais eficiência, menor desperdício e melhor aproveitamento do potencial produtivo das aves. Um deles é a Frango Ferreira, que reconhece que a automação pode eliminar variabilidades do processo manual de vacinação e aumentar significativamente a consistência dos resultados no incubatório.
“A vacinação in ovo proporciona maior segurança e padronização no processo vacinal, garantindo que todos os embriões recebam a dose correta e de forma uniforme. Além disso, permite a imunização mais precoce, ainda durante o período embrionário, favorecendo a proteção inicial das aves logo após o nascimento”, afirmou o diretor da Frango Ferreira, Diego Ferreira.
Outro ponto importante, segundo ele, é a redução do manejo e do estresse no primeiro dia de vida. Na Frango Ferreira, esse processo de vacinação cobre 2 milhões de ovos/mês. As vacinas aplicadas são a INNOVAX, que protege contra doenças de Marek, Newcastle e Laringotraqueíte Infecciosa, e a BDA BLEN, que protege contra a doença de Gumboro.
Novas soluções
“A vacinação in ovo é, sem dúvida, uma das tecnologias que mais transformaram a avicultura moderna. Na CostaFoods Brasil, reconhecemos esse processo como uma ferramenta estratégica para promover maior eficiência, precisão e uniformidade na imunização dos embriões. Além de contribuir para a proteção precoce das aves, a vacinação preventiva fortalece os programas sanitários e apoia a produção alinhada aos mais altos padrões de qualidade e às exigências dos mercados nacional e internacional”, disse o gerente de Incubatório da CostaFoods Brasil, Arlinton José de Oliveira.
Atualmente, os equipamentos disponíveis no mercado permitem vacinar milhares de ovos por hora com alto nível de controle, além de oferecer recursos como rastreabilidade dos lotes, monitoramento dos processos e integração com as linhas de incubação. “Outro avanço que chama bastante a atenção é a evolução dos sistemas de identificação de ovos inviáveis. Antes, a tecnologia se concentrava principalmente na detecção de ovos inférteis. Hoje, já existem soluções capazes de avaliar a viabilidade embrionária por meio da identificação dos batimentos cardíacos, o que torna o processo ainda mais preciso e eficiente. É uma tendência que deve ganhar cada vez mais espaço nos incubatórios”, aposta Arlinton de Oliveira.
Na CostaFoods Brasil, a identificação dos ovos claros é realizada por meio da ovoscopia manual, etapa em que são retirados os ovos inférteis ou inviáveis antes do processo de vacinação. “É um procedimento que faz parte da rotina operacional do incubatório e contribui para garantir a eficiência da aplicação das vacinas. Ao mesmo tempo, estamos acompanhando a evolução dessas tecnologias e já temos em nosso planejamento a implantação de sistemas automáticos de detecção. A expectativa é incorporar essa solução até o final do ano, ampliando ainda mais a precisão, a padronização e o controle do processo”, explicou.
A biosseguridade é um ponto fundamental dentro da operação do incubatório. Arlinton de Oliveira explicou que, durante a vacinação in ovo, o próprio equipamento realiza automaticamente a desinfecção das agulhas após cada aplicação. Nesse processo, uma solução à base de hipoclorito circula entre as agulhas, promovendo a higienização das superfícies que tiveram contato com o ovo e reduzindo os riscos de contaminação cruzada. “Além disso, seguimos protocolos rigorosos de limpeza e sanitização de todo o equipamento antes do início das atividades e ao final da operação. Somado aos demais procedimentos de biosseguridade adotados no nosso incubatório em São Sebastião do Oeste, conseguimos manter elevados padrões de segurança e qualidade durante todo o processo”, garantiu.
O gerente de Incubatório completou: “Quando associamos tecnologia, biosseguridade e controle de processo, o resultado é a entrega de pintinhos mais uniformes, saudáveis e preparados para expressar seu potencial produtivo ao longo de toda a fase de criação. Esse é o objetivo que buscamos diariamente na operação da CostaFoods Brasil”.
Rigorosos protocolos
“A cada vacinação, para cada perfuração in ovo, as agulhas são higienizadas no final do processo. O incubatório tem um programa de inspeção de salas e de máquinas, bem rigoroso”, afirmou o responsável técnico da Francap, médico veterinário Fábio Capanema.
Na Francap, o resfriamento do ar, para baixar a temperatura das salas, e o processo de higienização atendem a rigorosos protocolos. Como o embrião fica exposto por alguns segundos durante a perfuração do ovo, qualquer contaminação ambiental por fungos (Aspergillus) ou bactérias (Pseudomonas) pode causar alta mortalidade antes e depois do nascimento.
A taxa média de eclosão na avicultura industrial, utilizando a vacinação in ovo, gira entre 82% e 92% dos ovos totais incubados, podendo superar os 95% quando calculada estritamente sobre os ovos férteis. Quando o processo é realizado de forma correta, o impacto mecânico da agulha na taxa de eclosão é praticamente nulo, gerando uma variação técnica histórica de apenas 0,5% a 1% de redução em comparação com ovos não vacinados.
A vacinação in ovo na Francap é realizada entre 18 e 19 dias de incubação, o que atende ao padrão. Vacinar antes de 17,5 dias o embrião está pequeno e fora de posição e a agulha pode atingir o saco vitelino ou o próprio corpo do embrião de forma invasiva, derrubando a eclosão em até 4,6%. Já vacinar tarde demais - com mais de 1% de bicagem externa dos ovos - causa a quebra de cascas na máquina e lesões físicas nas aves.
Mão de obra
Fábio Capanema afirmou que um dos grandes benefícios na vacinação in ovo é a redução de mão de obra. “Com a vacinação in ovo, em relação à subcutânea, eu economizei oito pessoas no processo, e é mais bem feito. Você garante que praticamente 100% das aves estarão vacinadas, dois dias antes de nascer. Então, o desenvolvimento da parte imune ocorre antes do nascimento, com qualidade e higiene melhores”. Segundo o médico veterinário, na vacinação subcutânea a agulha era trocada a cada mil pintinhos vacinados, sendo que no processo atual a agulha é higienizada a cada vacinação.
Com maior eficiência operacional e menor necessidade de mão de obra para a vacinação manual, as granjas podem reduzir em até 10% seus custos operacionais, segundo levantamentos da Zoetis. Ao mesmo tempo, há ganhos importantes em sustentabilidade. A otimização de recursos, a redução de perdas e a melhoria da conversão produtiva tornam a vacinação in ovo uma solução que contribui para sistemas mais eficientes e alinhados às demandas atuais do agronegócio.









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