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II Simpósio Mineiro de Avicultura impulsiona o setor com foco em capacitação

  • Foto do escritor: AVIMIG
    AVIMIG
  • há 4 horas
  • 4 min de leitura

Foi um dia todo dedicado a novos conhecimentos, troca de informação e muito networking, proporcionando conexões para o fortalecimento da avicultura de corte e postura de Minas Gerais. Assim foi a realização do II Simpósio Mineiro de Avicultura 2026, na última quinta (25), no auditório da Fiemg, em Belo Horizonte. O evento, realizado pela AVIMIG e SINPAMIG, e que contou com a presença de cerca de 150 pessoas, foi exclusivo para associados, mas recebeu convidados, representantes da cadeia produtiva, líderes de órgãos públicos e estudantes.


O dia de imersão à inovação e ao conhecimento reuniu palestrantes que, juntamente com profissionais especializados e lideranças do setor, discutiram os avanços, perspectivas e os principais desafios da avicultura em Minas e no Brasil. Após cada palestra, a interação do público contribuiu para tornar o debate ainda mais envolvente.


Abertura

No discurso de abertura, o presidente do Conselho Diretor da AVIMIG, Antônio Carlos Vasconcelos Costa, ressaltou pontos relevantes, que merecem a atenção dos avicultores e que, mais uma vez, justificam a realização de eventos que criam espaço para o conhecimento, troca de experiências e construção de soluções: “Vivemos um momento de grandes desafios. Questões sanitárias, custos de produção, sustentabilidade, exigências dos mercados consumidores, pressão de consumo devido a novos hábitos, advindos das canetas emagrecedoras - afetando o nível de consumo e o varejo -, a guerra do oriente médio, a nova ordem geopolítica e econômica, que pressiona a competitividade internacional, e que exigem de nós preparo, união e visão de futuro. Ao mesmo tempo, surgem novas oportunidades que podem ampliar ainda mais a relevância de nossa atividade”.


A primeira palestra foi ministrada pelo o médico veterinário, mestre e doutor, gerente de Serviços Veterinários da Ceva Saúde Animal, Jorge Chacón, e teve como tema “Laringotraqueíte Infecciosa: diagnóstico precoce e tomada de decisão no campo”. Segundo o especialista, o agente etiológico da Laringotraqueíte está espalhado no país. “Ele circula e se mantem endêmico nas principais áreas de produção intensiva do Brasil. Porém, a condição do controle da doença é variada, de acordo com a região geográfica e o sistema de produção”.


Jorge Chacón explicou que, nos bolsões de postura comercial, que anteriormente sofriam surtos constantemente, hoje a doença está bem controlada, graças aos programas vacinais efetivos. “Nessas regiões, se apresentam surtos esporádicos quando há erros de aplicação das vacinas”. Nas regiões de produção de frangos de corte afetadas, de acordo com ele, ainda há relatos de surtos, na maioria dos casos, brandos, mostrando a necessidade de ajustes dos programas vacinais e intensificação das medidas de biosseguridade.


Em seguida, foi a vez da diretora Administrativa do Instituto Ovos Brasil (IOB) e coordenadora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), zootecnista Tabatha Lacerda, falar sobre Antimicrobianos: uso consciente, futuro sustentável”. Segundo ela, a Resistência aos Antimicrobianos (RAM) deve ser considerada um dos maiores desafios globais da atualidade, pela capacidade de microrganismos, como bactérias, vírus, fungos e parasitas, desenvolverem mecanismos que reduzem ou anulam a eficácia de medicamentos comprometendo o tratamento de doenças infecciosas, incrementando os custos econômicos associados à saúde pública e animal.  “Diante desse cenário, torna-se essencial adotar estratégias integradas de prevenção, uso prudente de antimicrobianos, monitoramento epidemiológico, educação continuada e inovação científica, fundamentadas no conceito de “Uma Só Saúde (One Health)”, que contempla a saúde animal, humana e ambiental.


De acordo com ela, é fato que os antimicrobianos transformaram a medicina humana e veterinária ao possibilitar o controle de inúmeras doenças. Porém, como consequência da resistência, infecções antes tratáveis tornam-se progressivamente mais difíceis de controlar, exigindo terapias mais complexas e, por vezes, menos eficazes.


Após o coffee break, o evento foi retomado com a palestra Integração produção-frigorífico: comunicação dos fatores de campo que afetam a condenação”, proferida pelo médico veterinário, especialista em planta de abate e qualidade na Cobb Brasil e América Latina (LATCAN), Eder Barbon. O profissional falou sobre as principais causas de condenação de carcaças - celulite, miopatias, hematomas, que, atualmente, geram os maiores prejuízos financeiros para a integração. Para isso, citou dados oficiais do MAPA (SIGSIF 2026).


Segundo ele, as principais causas de condenações nas plantas de abate de aves no Brasil, e que geram os maiores prejuízos, são:

·         Contaminações durante o processo de abate – 2,79% - condenas parciais;

·         Artrites – 2,71% - Condenações parciais – uma ou duas pernas;

·         Lesões de pele – 1,94% - Condenações parciais;

·         Aerossaculites – 0,76% - Condenações parciais;

·         Lesões traumáticas – 0,48%.


Na parte da tarde, quem abriu os trabalhos foi a consultora e especialista em liderança de pessoas e equipes, e mentora em liderança e comunicação, Flávia Aquino. Dentro do tema “Liderança em foco: comunicação para influenciar e mobilizar pessoas”, ela destacou a importância da comunicação de regras rígidas de biosseguridade com o cuidado de não gerar resistência na equipe de campo.


“A comunicação de regras deve fazer parte de um planejamento de comunicação interna claro e eficaz, ancorado em um programa de compliance. A cultura de segurança deve ser um valor para a empresa, e a liderança deve estar alinhada e preparada para influenciar a equipe a agir de maneira correta e segura. Essa prática aumenta a confiança dos colaboradores que estão no campo e, consequentemente, diminui a resistência, além de apoiar a detecção e a prevenção de condutas inadequadas”.


Flávia Aquino ressaltou que as empresas podem criar um plano de valorização de boas práticas, como compartilhar casos de sucesso, destacar equipes com alta conformidade e mostrar os resultados alcançados com os protocolos.


Fechamento

No encerramento do II Simpósio Mineiro de Avicultura, foi ministrada a palestra do CEO da Agrisolus, consultor de agronegócio e especialista em automação, Anderson Nascimento, que defendeu o tema “A nova revolução na avicultura: dados e inteligência artificial”.


Entre os assuntos destacados, a falta de internet estável no campo foi apresentada como um dos dificultadores no dia a dia dos avicultores. Segundo ele, o ideal é utilizar tecnologias que não dependam 100% da internet para funcionar. “Sensores, câmeras e controladores podem operar localmente, armazenando os dados no próprio galpão e enviando as informações para a nuvem quando a conexão estiver disponível. Também é possível usar internet via rádio, 4G rural, satélite ou redes híbridas, criando redundância para evitar perda de dados e falhas no monitoramento”. No entanto, ele afirmou que a oferta de sinal de internet em áreas rurais é bem ampla.


Ao final do evento, fechado com um delicioso lanche, foram somente elogios para a AVIMIG, o formato do simpósio e para o nível dos palestrantes.




 

 
 
 

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