Canetinhas emagrecedoras devem elevar em 10% consumo de frango e ovo
- AVIMIG

- 31 de jul.
- 2 min de leitura
O mercado de proteína animal no Brasil está se reinventando para atender a um público mais qualificado, informado e focado no bem-estar. Além da busca natural por alimentos mais saudáveis, o setor agora responde a novas tendências de comportamento, incluindo a ascensão das canetinhas para perda de peso (GLP-1). Essa mudança parece que veio para ficar: o estudo Global State of Health Wellness aponta que quase um terço das pessoas já avalia essas medicações de forma positiva.
Fato é que produtores de alimentos de origem animal precisam se adaptar com rapidez a essa nova realidade de consumo, especialmente os setores de ovos e carne de frango. O tema fez parte do discurso do presidente do Conselho Diretor da AVIMIG, Antônio Carlos Vasconcelos Costa, durante a abertura do Simpósio Mineiro de Avicultura 2026, em junho, na Fiemg: “Vivemos um momento de grandes desafios. Questões sanitárias, custos de produção, sustentabilidade, exigências dos mercados consumidores, pressão de consumo devido a novos hábitos advindos das canetas emagrecedoras, afetando o nível de consumo e o varejo, a guerra no oriente médio, a nova ordem geopolítica e econômica, que pressiona a competitividade internacional, exigem de nós preparo, união e visão de futuro. Ao mesmo tempo, surgem novas oportunidades, que podem ampliar, ainda mais, a relevância da nossa atividade”.
Um levantamento do PainelTAP apontou que 46,6% dos usuários de canetinhas emagrecedoras aumentaram a compra de carnes, ovos e iogurtes proteicos. Já a pesquisa da Pluxee indicou que 57% dos usuários passaram a priorizar fontes de proteína na alimentação diária, enquanto 62% aumentaram o consumo de frutas, legumes e verduras. O número de usuários de canetas emagrecedoras no mundo pode ultrapassar os 100 milhões até 2030, segundo relatório da Cogo Inteligência em Agronegócio.
As estatísticas comprovam o aumento do consumo de frango e ovos em função da onda das canetinhas - a dieta obriga a uma alta carga proteica com poucas calorias. Diante disso, Antônio Carlos Costa acredita que o setor avícola será sim impulsionado por essa mudança estrutural de hábitos.
Segundo ele, o setor avícola já está oferecendo uma gama de produtos intensos ao mercado. “Nós temos que avaliar o tamanho que nós estamos e o comportamento desse mercado em função desses novos hábitos. O que já percebemos é que as pessoas estão reduzindo o consumo de alguns produtos, mas que a proteína animal, em função desses novos hábitos, vai ser parte do aumento de consumo. Há a expectativa de crescimento da proteína animal, ao longo do tempo, de cerca de 10%”, aposta Antônio Carlos Costa, percentual que também influenciará no aumento da demanda por ração, que é composta majoritariamente por milho e farelo de soja.
Ele garante que o setor ainda não está sentindo toda essa demanda. “Estamos com excesso de oferta e com alguma dificuldade com relação a preço de produto, o que é um problema pontual”.
De acordo com o “Relatório Anual 2026”, da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a carne de frango apresentou um consumo per capita de 46,7 kg/hab em 2025, frente a 45,5 kg/hab no ano anterior. Já o setor de ovos atingiu a produção recorde de 62,3 bilhões de unidades, em 2025.









Comentários