Tecnologia e segurança sanitária são prioridades de Cláudio Bortolini na Emater-MG
- AVIMIG

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A nova diretoria executiva da Emater-MG tomou posse, em abril, em evento realizado em Belo Horizonte. O engenheiro agrônomo Cláudio Augusto Bortolini assumiu o cargo de diretor presidente, sucedendo a Otávio Martins Maia.
Compõem ainda a nova diretoria executiva da Emater-MG, Everton Paiva Ferreira, como diretor Administrativo e Financeiro; Gelson Soares Lemes, diretor Técnico; e Rodrigo Carvalho, como presidente do Conselho de Administração.
A Revista da AVIMIG conversou com Cláudio Bortolini para saber quais são as prioridades da nova diretoria executiva voltadas para o setor avícola. Entre os temas de destaque, o diretor presidente falou sobre profissionalização, tecnologia e sanidade.
Quais são os desafios e projetos a serem desenvolvidos voltados para a avicultura?
Nosso foco na Emater é a profissionalização da avicultura na agricultura familiar. O objetivo central é promover a transição do sistema tradicional (de fundo de quintal) para o modelo ‘caipira melhorado’, que é mais tecnológico, rentável e oferece maior segurança sanitária. Hoje, trabalhamos para superar gargalos na gestão das granjas, reforçar a biosseguridade, reduzir custos de produção e garantir que o produtor consiga regularizar sua atividade para acessar novos mercados. Estamos implementando ações que possam ajudar na certificação das propriedades, atuando com assistência técnica voltada para o melhoramento genético, a legalização e os cadastros. Além disso, priorizamos o acesso a mercados institucionais, garantindo que a produção local de carnes e ovos chegue ao consumidor de forma regularizada e competitiva.
Como ampliar a certificação para a criação de aves caipiras, uma vez que esse mercado tem crescido e preocupado o setor, especialmente com relação à sanidade?
No programa governamental Certifica Minas, da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a Emater-MG desempenha papel estratégico e técnico. Atuamos diretamente na orientação do produtor, oferecendo assistência técnica e capacitações. Esse trabalho é realizado em total sincronia com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), responsável pelas auditorias e certificação. O impacto dessa parceria é evidente: os produtores assistidos pela Emater-MG com as orientações do IMA conseguiram obter a certificação, ao contrário de outros produtores independentes.
Como os extensionistas da Emater estão sendo orientados na prevenção e atuação em caso de Influência Aviária?
Nossas equipes receberam orientações detalhadas nas capacitações técnicas realizadas em parceria com o IMA. O foco é a prevenção, a identificação dos sintomas e o protocolo imediato de atuação em casos de suspeitas. Complementando essa formação, distribuímos em todos os nossos escritórios materiais informativos cedidos pela AVIMIG. Em situação de suspeita, a Emater-MG oferece total apoio operacional ao IMA, para garantir a contenção rápida e eficaz da doença, preservando a sanidade avícola do estado.
Como a Emater se mobiliza para suprir a necessidade de vacina e a distribuição das doses nos aviários? Há desafios nessa área?
A Emater-MG atua como o principal agente de orientação e mobilização comunitária para garantir a sanidade avícola, especialmente na agricultura familiar. Nosso foco não é a venda direta, mas sim a organização dos produtores para viabilizar o acesso e a aplicação correta. Isso ocorre por meio de compras conjuntas, estabelecimento de calendários sanitários e capacitações em boas práticas agropecuárias. A Emater-MG não fornece vacina, pois não tem orientação para tal ação. Enfrentamos desafios significativos, como o entrave da escala de doses: as vacinas comerciais são vendidas em frascos de 1.000 ou 5.000 doses. A maioria dos pequenos avicultores possui entre 50 e 500 aves. Além disso, conscientizamos os produtores de que a vacinação é um investimento em biosseguridade e não um custo. Por fim, há o gargalo da logística, já que esses imunizantes exigem refrigeração rigorosa e a oferta é escassa em regiões que não são polos avícolas tradicionais.
Qual a atuação da EMATER na busca por novas tecnologias de produção para a avicultura?
Nossa atuação consiste em adaptar inovações para a realidade do pequeno produtor e diversidade de regiões do estado, priorizando sempre o baixo custo e a eficiência produtiva. As principais frentes são: o melhoramento genético, com a introdução de linhagens adaptadas ao sistema caipira para um maior desempenho; o bem-estar animal, adequando o produtor às novas exigências de certificação e consumo; o manejo de camas dos aviários simplificado, utilizando implementos manuais eficientes ou motocultivadores; o monitoramento por imagens via celular; o uso de ninhos inteligentes com coleta automatizada por gravidade e climatização dos ambientes para melhor conforto animal. O objetivo é mostrar que a tecnologia, quando bem aplicada, é uma ferramenta poderosa para aumentar a rentabilidade da avicultura caipira de pequeno porte.
O que o setor de avicultura pode esperar da nova diretoria?
O setor pode esperar uma gestão pautada pela modernização da assistência técnica e pelo fortalecimento da segurança sanitária. Minas Gerais é um estado referência na avicultura de qualidade, especialmente no segmento caipira e de pequena escala. Para isso, estamos focados em três eixos estratégicos. Primeiro, na transformação digital do campo. Levar tecnologias de baixo custo para o pequeno produtor, como sensores de monitoramento de ambiência e ferramentas de gestão digital que substituem o antigo caderninho. Queremos que o produtor tome decisões baseadas em dados para reduzir custos e aumentar a produtividade. Em segundo lugar, a ampliação da certificação e do mercado. A nova diretoria vê o selo Certifica Minas não apenas como uma norma, mas como um passaporte para mercados premium. Vamos intensificar a consultoria técnica gratuita para que o avicultor familiar atinja os padrões de conformidade com agilidade, conectando-o diretamente às grandes redes de varejo e reforçando sua participação em programas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Por fim, um compromisso inegociável com a biosseguridade. Diante dos desafios sanitários globais, a Emater-MG será o braço direito do produtor na implementação de barreiras sanitárias rigorosas e educação preventiva. O objetivo é blindar a produção mineira, garantindo a sanidade do plantel e a confiança do consumidor final.
Algo mais a acrescentar?
Resumindo, o setor de avicultura pode esperar uma Emater-MG mais ágil, tecnológica e focada na rentabilidade do produtor, sem abrir mão da sustentabilidade que o sistema caipira exige. Com o ‘braço’ operacional do sistema para o desenvolvimento técnico e extensão rural, e coirmã do IMA, Vigilância Sanitária e logística das aves e da Epamig, a empresa atuará na perspectiva de uma avicultura de pequeno porte que venha trazer ganhos para os pequenos avicultores, para o comércio local e institucional, sem prejudicar a grande cadeia produtiva das grandes empresas e cooperativas mineiras do setor avícola.
Cláudio Augusto Bortolini
Formado pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), também possui especializações em Cafeicultura Empresarial e em Engenharia Sanitária e Meio Ambiente. Sua qualificação inclui ainda um MBA em Gerenciamento de Projetos. Empregado efetivo da Emater-MG desde novembro de 1997, iniciou a carreira na empresa como técnico local, em São Pedro do Suaçuí. Já em Belo Horizonte, ocupou cargos como gerente do Departamento Técnico e gerente do Departamento de Projetos e Gestão Estratégica. Desde abril de 2019, exercia a função de diretor administrativo e financeiro da empresa.









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