top of page
banner avimig interno.jpg

NOTÍCIAS

Sanidade - Entrevista com Dr. Bruno Pessamilio

  • Foto do escritor: AVIMIG
    AVIMIG
  • 12 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

O Consultor Especializado em Defesa Sanitária Animal, Bruno Pessamilio, esteve em Belo Horizonte, em outubro, para um treinamento a cerca de 100 profissionais da área técnica das principais empresas do setor avícola de Minas Gerais. O treinamento, que teve como tema “Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle, foi realizado pela Avimig em parceria com o Sinpamig, Fiemg e Fundesa. A Revista da Avimig aproveitou os dois dias de treinamento para bater um papo com o especialista sobre o tema do treinamento.


Qual é o principal objetivo de um Plano de Contingência para Influenza Aviária (IA) e Doença de Newcastle (DN), e por que ele é essencial para a avicultura brasileira?

Quando falamos em Plano de Contingência, a gente precisa pensar em algumas estratégias que visam controlar a entrada de um vírus que tem entrado no país, seja de IA ou DC. A primeira estratégia do Plano de Contingência visa você conter o espalhamento deste vírus, ou seja, manter o vírus no menor espaço territorial possível. Então, para isso, existem todas as ações que são feitas para você manter esse vírus, como interdição de região, paralisação da movimentação de trânsito, entre outros. Existe uma segunda estratégia no Plano de Contingência que é você entender a dimensão desse vírus na região. Com isso, o serviço sanitário oficial faz uma varredura na região, investigando todas as propriedades que têm aves, para verificar se há outros focos possíveis na região. A terceira estratégia do Plano de Contingência é erradicar o vírus. Ou seja, quais ações que a gente precisa fazer para eliminar o agente. Aí a gente fala basicamente de três grandes ações: sacrifício dos animais positivos e suscetíveis, todo o processo de destruição das carcaças, resíduos, camas, estercos e fezes que existirem na propriedade e, por fim, a limpeza e desinfecção. Só assim a gente consegue eliminar o vírus. Uma quarta estratégia do Plano de Contingência, enquanto objetivo, é adotar medidas que vão diminuir o impacto na região. Medidas que vão permitir o trânsito, a movimentação das demais propriedades que ficam na área de emergência, para que elas sejam paralisadas. E, por fim, como quinta estratégia, o Plano de Contingência visa restabelecer o status sanitário original, ou seja, restabelecer a condição de país, estado ou região livres. A importância do Plano de Contingência é você ter equipes treinadas, empresas preparadas, tanto do serviço oficial quanto da iniciativa privada, para agir diante de uma emergência e restabelecer a condição sanitária o quanto antes.

 

Como os estados têm se preparado, em termos de infraestrutura e protocolos, para responder a possíveis surtos dessas doenças?

Depois dos focos de IA que conhecemos no Brasil desde 2023, com aves silvestre e algumas poucas propriedades de subsistência e comercial, temos visto um movimento muito grande nos estados em aprimorar seus Planos de Contingência. Porque, até então, quando a gente não tinha o vírus no Brasil, as pessoas estavam muito mais preocupadas em prevenção, que é o primeiro pilar. Como o vírus entrou no país, a gente precisa se preocupar com o outro pilar, que é a reação. Ou seja, a gente previne, mas, se entrar, é preciso saber o que fazer. Então, temos visto um movimento muito grande. Eu mesmo tenho trabalhado em 10 estados. A ideia é que possamos divulgar esse Plano de Contingência, mais personalizado para a inciativa privada, para que a iniciativa privada esteja preparada. Há associações buscando essas soluções, e as próprias empresas buscando individualmente. Há um movimento de busca ao plano de reação, que é o Plano de Contingência. Fico feliz de ver esse movimento, mas sei que ainda tem muita coisa para acontecer, estamos no início do processo de uma mudança de cultura, que é a cultura da emergência, estar preparado para a emergência.

 

O plano prevê simulações e treinamentos periódicos. Com que frequência essas ações devem ser realizadas e como elas impactam a eficiência da resposta em caso de emergência sanitária real?

Quando a gente fala em Plano de Contingência, a gente precisa realmente estar preparado, não só documentalmente, mas saber o que fazer, simular isso, a prática é extremamente importante para que se possa verificar o que está certo, o que não dá certo, as maiores dificuldades... Porque, na prática, acabam acontecendo várias situações que, muitas vezes, não podem ser previstas documentalmente. É muito importante que as empresas, além dessa parte que buscamos, que é o desenvolvimento de um plano teórico, completo e adequado, deem continuidade nas ações, justamente com treinamentos práticos, simulados. E tem cada vez mais empresas fazendo isso. Então, existem dois tipos de simulações: teóricas, as que a gente chama de gabinete, e as práticas, de campo.

 

 

Quais são os principais desafios logísticos e sanitários que podemos enfrentar durante um processo de depopulação em granjas comerciais de grande porte?

Os desafios logísticos e sanitários envolvem realmente todas as providências que a gente precisa desenvolver para realizar o processo de depopulação. Esse é um processo complicado, porque envolve o sacrifício coletivo de várias aves, o que requer mão de obra em quantidade suficiente – estamos falando de granjas pequenas ou das que têm 1 milhão de aves. Diante disso, precisamos de todo suporte de recursos humanos, de gente treinada e capacitada, de recursos materiais, porque os métodos envolvem equipamentos – cilindro de CO², máquina de espuma, líquido gerador de espuma, entre outros tantos equipamentos. Existe o desafio logístico de se conseguir todos esses equipamentos num curto espaço de tempo. Importante lembrar que, quando estamos falando de depopulação, precisamos partir de uma premissa que o importante seria depopular em 24 horas, ou seja, ter todas as pessoas disponibilizadas em 24 horas, todos os equipamentos... Tudo em 24 horas é o grande desafio. Por isso, o importante é a empresa já ter essas contas anteriores, os seus cálculos previstos, seus fornecedores identificados, para, numa situação de emergência, já saber onde recorrer, quem vai atender, qual a capacidade de entrega desses fornecedores, inclusive ter estoques estratégicos, que permitam uma pronta resposta até que a reposição de materiais seja feita pelos fornecedores.


Dr. Bruno Pessamilio
Dr. Bruno Pessamilio

 

 
 
 

Comentários


bottom of page