Embrapa Milho e Sorgo: 50 anos contribuindo com o desenvolvimento da agropecuária
- AVIMIG

- 9 de abr.
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A Embrapa Milho e Sorgo, empresa vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), está comemorando 50 anos de pesquisa científica com uma atuação de grande relevância para o desenvolvimento da agropecuária brasileira. Os avanços e as conquistas da empresa são acompanhados de perto pela Avimig, já que o presidente do Conselho Diretor da entidade, Antônio Carlos Vasconcelos Costa (CostaFoods Brasil), é integrante do Comitê Assessor Externo (CAE) da Embrapa Milho e Sorgo (CAE-CNPMS/Centro Nacional de Pesquisa de Milho e Sorgo).
Dando destaque para essas cinco décadas de trabalho, a Revista da Avimig entrevistou o chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas, pesquisador Vinícius Pereira Guimarães, que falou sobre os desafios, parcerias e os rumos da empresa. Ele está a frente da unidade desde agosto de 2025.
Como é estar à frente de uma importante instituição que completa 50 anos de dedicação à pesquisa científica?
Estar à frente da Embrapa Milho e Sorgo neste marco de meio século é, acima de tudo, um compromisso com o legado e com o futuro. Não celebramos apenas o passado, mas a solidez de uma base científica que transformou o Brasil em uma potência agroalimentar. Assumir essa liderança em 2025 significou aceitar a missão de conduzir uma transição: honrar a excelência técnica construída por nossos colaboradores e, ao mesmo tempo, acelerar a entrega de soluções inovadoras para um mercado dinâmico e exigente. É um sentimento de profunda responsabilidade, ciente de que nossas decisões impactam diretamente a segurança alimentar e a economia do País.
Quais são os maiores desafios em sua missão frente a uma unidade de pesquisa tão importante para o agronegócio, especialmente para a avicultura brasileira?
O desafio central é a convergência entre sustentabilidade e produtividade. A avicultura é um setor de alta precisão e margens estreitas, onde a ração representa a maior parte do custo de produção. Nossa missão é garantir que o produtor tenha acesso a tecnologias que mitiguem riscos climáticos e biológicos. Precisamos viabilizar o aumento da produtividade do milho, do sorgo e do milheto em janelas de plantio cada vez mais curtas e desafiadoras, reduzindo o custo operacional. Além disso, gerir uma unidade de pesquisa é uma ação complexa e exige a modernização constante da infraestrutura, captação eficiente de recursos, interação estreita com o setor produtivo e modelos de transferência de tecnologia que garantam que a pesquisa chegue de forma rápida e aplicável ao campo.
Com relação à tecnologia, quais os avanços alcançados pela unidade? O que falta para continuar avançando?
Avançamos significativamente em biotecnologia e bioinsumos. O desenvolvimento do BiomaPhos, por exemplo, é um marco na eficiência do uso de fósforo, que gerou bilhões de reais em economia para os produtores brasileiros. Também lançamos variedades de sorgo e milho mais adaptadas às diversas regiões do país, além do primeiro milho transgênico 100% brasileiro efetivo no controle da lagarta-do-cartucho (BTMAX), o que reduz drasticamente o uso de defensivos químicos. Para seguir avançando, precisamos de maior integração público-privada e investimentos robustos em pesquisa. O próximo passo é consolidar o uso da Inteligência Artificial para sermos preditivos: precisamos antecipar como as pragas e o clima se comportarão daqui a dez anos para trabalharmos na solução hoje.
O que a avicultura pode aguardar da Embrapa Milho e Sorgo para os próximos anos, já que a qualidade dos insumos é uma das preocupações do setor?
A avicultura pode esperar uma Embrapa focada em soluções que unam qualidade nutricional, estabilidade de oferta e baixa pegada de carbono. Nossa visão inclui o fortalecimento das cadeias regionais de grãos para reduzir custos logísticos, transformando o insumo em um ativo tecnológico de alta performance. Um dos nossos projetos prioritários é a validação de protocolos de baixo carbono para milho e sorgo. Isso trará rastreabilidade às emissões de gases de efeito estufa na cadeia, permitindo ao setor mensurar a pegada de carbono no produto final — seja carne, leite ou ração — atendendo às exigências dos mercados globais.
Algo mais?
Gostaria de enfatizar a importância estratégica das parcerias. Nenhuma inovação nasce isolada em um laboratório; é o diálogo constante com o setor produtivo que calibra nossa bússola de pesquisa. Os 50 anos da unidade pertencem a toda a cadeia que confiou na ciência para crescer. Estamos abertos, renovados e prontos para os próximos 50 anos.
Quem é Vinícius Guimarães?
Natural de Curvelo-MG, com infância e adolescência na cidade de Sete Lagoas (MG). Graduou-se em Zootecnia e Administração com foco em Comércio Exterior, em Viçosa-MG. No mestrado e doutorado, especializou-se em modelagem e avaliação econômica de sistemas produtivos, com período na Texas A&M University (EUA), onde recebeu o prêmio Joseph Fontenot Appreciation Club. Iniciou a carreira como consultor do programa BID/Agrofuturo/Embrapa em gestão de Pesquisa & Desenvolvimento. Ingressou na Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral-CE) em 2010. Representou o Brasil em projetos com FIDA (Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola), IGA (International Goat Association) e FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), além de liderar projeto no Benin (África). Em 2019, assumiu o escritório da Embrapa na Europa (Labex Europa). É pesquisador da Embrapa na área de socioeconomia com ênfase em gestão agropecuária, modelagem e simulação de sistemas. Está na chefia-geral da Embrapa Milho & Sorgo desde 1º de agosto de 2025.









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