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Presidente da Embrapa defende, na COP26, transformação de sistemas alimentares em nível global

A ciência é fundamental para que sejam mais inclusivos, sustentáveis e garantam a acessibilidade da população mundial à nutrição saudável. Em painel paralelo na COP26, nesta segunda-feira (8/11), o presidente da Embrapa, Celso Moretti, defendeu a necessidade urgente de transformação dos sistemas alimentares em nível global para garantir acessibilidade da população à alimentação. Moretti representou o Painel Global para Agricultura e Sistemas Alimentares para Nutrição, um grupo internacional independente, criado em agosto de 2013, em Londres, no painel “Abordando o fardo triplo das mudanças climáticas, conflitos e desnutrição para melhorar as perspectivas de paz '.


Moretti ressaltou a experiência de sucesso da agricultura brasileira ao longo das últimas cinco décadas, que permitiu ao Brasil passar de importador de alimentos, na década de 1970, para um dos maiores players do agro mundial na produção de alimentos, fibras e bioenergia. O sucesso da tropicalização da agricultura do País tem como pano de fundo a ciência, pontuou o presidente, lembrando que hoje o Brasil alimenta cerca de 800 milhões de pessoas e exporta para 209 países. “E o que é mais importante, fazemos isso produzindo e preservando dois terços do nosso território, o que é equivalente a 48 países europeus”, enfatizou.


O presidente da Embrapa representou o Painel Global em Agricultura e Sistemas Alimentares, do qual é membro. Ele destacou que é urgente investir na transformação dos sistemas alimentares. Segundo ele, esses sistemas têm falhado em não prover a nutrição alimentar necessária à alimentação saudável, assim como a adoção de práticas que não protegem o meio ambiente. Estimativas indicam que a desnutrição é responsável por 20% das doenças em nível mundial. Cerca de 11 milhões de pessoas morrem todos os anos por doenças associadas a esse problema. “Uma dieta nutritiva e saudável, baseada nos padrões de consumo e preços atuais, é inacessível para cerca de três bilhões de pessoas em todo o mundo”, acrescentou.


Além disso, os sistemas alimentares respondem por 25 a 30% das emissões de gases e 70% do uso de água doce em nível global. Como fatores agravantes às mudanças climáticas e capacidade de produzir alimento, destacam-se ainda a degradação do solo, aumento dos níveis dos oceanos, perda de biodiversidade, poluição e perda de recursos hídricos. “Hoje, o custo global para que os sistemas alimentares possam garantir nutrição saudável aliada à preservação ambiental é estimado em US$ 12 trilhões de dólares por ano. Se nós continuarmos com os modelos atuais, os custos para a saúde humana, meio ambiente e a economia serão imensuráveis”, complementou.


Segundo Moretti, sistemas alimentares reformados e com melhor funcionamento fornecem alimentos seguros, acessíveis e nutritivos que compõem uma dieta saudável, ao mesmo tempo que nutrem o ambiente natural. São essenciais para a sociedade, além de estarem no centro do cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “É uma situação ganha-ganha. Sistemas alimentares sustentáveis que funcionam bem podem oferecer ganhos múltiplos: melhorias econômicas, sociais, de saúde e planetárias, durante e além desta pandemia”, enfatizou.


O Painel Global é um grupo internacional independente formalmente estabelecido em agosto de 2013 na Cúpula Nutrição para o Crescimento em Londres. A atuação está voltada à alimentação, agricultura e nutrição, preenchendo lacunas e examinando sistemas alimentares em um contexto sócio-político e econômico mais amplo.




Divulgação: Embrapa


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