Biosseguridade fortalece imagem do Brasil como 'fornecedor confiável' de proteína animal
- AVIMIG
- há 5 horas
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A biosseguridade deixou de ser apenas uma ferramenta de prevenção de doenças para assumir um papel estratégico na produção animal. Em um cenário de exigências sanitárias cada vez maiores, mudanças climáticas e barreiras comerciais, investir em medidas preventivas dentro das granjas tornou-se fundamental para garantir produtividade, sustentabilidade e competitividade da cadeia pecuária brasileira.
Segundo o diretor-presidente da Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia Animal (Facta), Ariel Mendes, a adoção de protocolos de biosseguridade traz ganhos que vão além da sanidade dos rebanhos.
“Animais mais sadios têm menos doenças e com isso eles consomem e transformam melhor a energia da ração em carne produzida, ou em ovos, no caso das galinhas poedeiras”, destaca .
Redução da pegada de carbono
No caso da avicultura de corte, aves sadias atingem o peso ideal para o abate em menos tempo, diminuindo o período de criação e, consequentemente, as emissões associadas ao processo produtivo.
A uniformidade dos lotes também é favorecida pela biosseguridade, com menor incidência de doenças, os animais apresentam desenvolvimento mais homogêneo, facilitando as operações nos frigoríficos e a formação de cargas destinadas tanto ao mercado interno quanto às exportações.
Menor uso de antimicrobianos
A adoção de boas práticas de manejo e prevenção sanitária também tem contribuído para reduzir o uso de antimicrobianos na produção de frangos.
De acordo com Mendes, o Brasil vem se adaptando há anos às exigências dos mercados internacionais e muitas empresas já substituíram grande parte dos antibióticos por alternativas que garantem a saúde dos animais sem comprometer o acesso aos principais destinos das exportações.
Ele destaca que a recente restrição imposta pela União Europeia à carne de frango brasileira não esteve relacionada ao uso de substâncias proibidas, mas ao entendimento do bloco europeu de que o sistema oficial de fiscalização precisava ser reforçado.
Para atender à exigência, o governo brasileiro apresentou um novo protocolo que prevê inspeções presenciais em 1% das granjas e estabelecimentos exportadores, realizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) ou pelos órgãos estaduais de defesa agropecuária.
“O setor imagina que agora a partir do início de setembro a gente volte a exportar, porque até lá já rodou um ciclo de frango que é curto (entre 42 a 45 dias), dentro desse novo protocolo definido pelo Mapa e apresentado para à União Europeia”, afirma Mendes.
Sanidade fortalece imagem do Brasil
Maior exportador mundial de carne de frango e um dos principais fornecedores globais de carne bovina, o Brasil tem na sanidade animal um dos principais diferenciais competitivos.
Para Mendes, o mercado internacional reconhece que nenhum país está livre da ocorrência de doenças. O fator decisivo é a capacidade de identificar rapidamente eventuais focos e adotar medidas eficazes de controle.
Como exemplo, ele cita a rápida resposta brasileira diante do foco de influenza aviária registrado no Rio Grande do Sul, que permitiu a retomada das exportações em cerca de 40 dias após o cumprimento dos protocolos sanitários internacionais.
Além de reduzir o risco de interrupções no comércio, a biosseguridade facilita o cumprimento de exigências específicas dos países compradores, como protocolos de bem-estar animal e de abate halal para mercados islâmicos. Isso contribui para agilizar a liberação das cargas nos destinos e reduzir custos logísticos das exportações.
Na avaliação do especialista, a combinação entre prevenção sanitária, rastreabilidade e capacidade de resposta a emergências consolida o Brasil como um fornecedor confiável de proteína animal. “Isso garante para os países importadores que vai ter um fornecedor confiável. Então, isso é um ponto bastante importante”, completa Mendes.

Fonte: Interligados




